Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

como você ri virtualmente?

quem me conhece sabe que me corrigir, assim, na lata, não é a melhor forma de se relacionar comigo. logo, esse imbecil desse meu iphone deveria se colocar no lugar dele e saber com que está lidando.

se eu quisesses escrever "rainha", e não "rafinha", eu escreveria. não, não vou desabilitar o corretor automático. sabe por quê? porque eu simplesmente não habilitei!

eu faço piadas, às vezes. e como resposta, o que eu recebo? uma mensagem com uma única palavra: "banana". o que é isso? eu sou idiota? quem me respondeu é um idiota? não. idiota é o iphone dos infernos. porque a resposta era "hahahaha". minhas piadas merecem boas gargalhadas, e não uma banana de volta.

aliás, mudando de assunto: como você ri virtualmente? hahahaha? hehehehehe? hihihihihi? huhuahuahuahuahua? kkkkkkk?

saiba: se você ri "kkkkkkkkk", eu não te respeito.

se você ri "huahuahuahua" eu te imagino de uma maneira que eu jamais vi pessoalmente.

se você ri "hihihihihi"... sério. diz que você não ri "hihihihihi", por favor.

se você ri "hehehehehe" você é um canalha.

se você ri "hahahahaha" você é bobo.

essa vida não está para risos, meu queridos. marchem!

e por que eu queria escrever "rafinha" em uma mensagem? não interessa. é um problema meu, dele e da rede bandeirantes de comunicação. grato.

resignifiquemos

mesa do restaurante. daquelas bem coladas na vizinha. ou seja, quem está na mesa ao lado ouve TUDO.

- você tomou banho?
- não. (cara de nojo de si própria).
- nem eu.
- ai.
- mas eu escovei os dentes.
- ah, isso eu também.
- por que eu não consigo sem escovar os dentes.
- claro!
- mas escovar os dentes sem passar fio dental pra mim não significa nada.
- nada, nada! eu me sinto suja quando eu não escovo os dentes.
- eu também. é péssimo.
- mas eu não escovo os dentes assim, imediatamente após as refeições.
- nem eu. eu dou um tempo.
- porque eu tenho a sensação de que o gosto de pasta estraga a digestão.
- é, é meio bizarro mesmo.
- o gosto de pasta resignifica o alimento.
- resignifica?
- sim.
- existe esse verbo?
- meu querido, qualquer verbo existe. desde que faça sentido.
- a pasta de dentes resignifica o alimento? foi isso o que eu ouvi?
- eu não posso mais ter verve nem vocabulário? eu amo o vocabulário.
- você usa o verbo amar com frequência?
- (silêncio).
- usa?
- não... é muito difícil.
- pra mim também.
- mas tem uma coisa.
- o quê?
- é difícil falar amar. mas é fácil falar i love you.
- falemos i love you.
- isso! é fácil e resignifica.
- resignifiquemos.
(mesa ao lado parada. olhando. em silêncio).
- a gente jura que a gente tem outro tipo de assunto.
- é! a gente jura! é que a gente passou o final de semana inteiro juntos e já falamos de tudo o que era legal. mas a gente é legal!
- é! a gente tem assunto!
- sexo, traição... a gente já falou sobre tudo isso.
- a gente não é chato!
(mesa ao lado sorri).
- por exemplo, o meu dry martini sempre vem com duas azeitonas. e eu gosto de comer quando uma delas está marinada. isso é um assunto, não?
- quando a azeitona está marinada?
- não é um assunto?
- ... acho que não.
- claro que é! eu tenho extrema curiosidade de saber o ponto exato em que a azeitona do dry martini fica marinada!
(mesa ao lado desiste. voltam a falar. minutos depois chega a conta e o pacotinho com o resto do sanduíche embrulhado pra viagem).
- ah! eu não acredito! eles vão levar um quinto de sanduíche embalado pra casa? e eu me preocupando em ter assunto legal? mais champanhe, mais champanhe! esse mundo não tem lastro.

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2012

quem, quando, onde, como e por que.

quem é jornalista sabe. existem dois tipos de plantão: aquele em que não acontece nada ou aquele em que acontece tudo. não existe meio termo. não é como um plantão num ps, em que sempre acontece tudo. sempre alguém tem uma síncope. sempre alguém é atropelado. sempre um marido atira na mulher. sempre aparece um maluco que não tem nada, mas diz que está à beira da morte. não. plantão de jornalismo é diferente.

vejamos: alguém teve uma síncope. primeira pergunta: quem? é famoso? é importante? não? cara de tédio na redação. sim? famoso ou importante? (adjetivos altamente excludentes, hein?). famoso! euforia na redação. importante! tensão na redacão. famoso e importante! pânico na redação.

só famoso? morreu um ex-bbb. tédio na redação. importante? morreu um senador. de que estado? em 23 respostas... tédio na redação. em outras duas, um pequeno movimento. se foi o sarney ou aécio, ferrou, meu amigo.

famoso e importante? bom, se prepare. você vai se ferrar. só existem cinco pessoas famosas e importantes no brasil: lula, dilma, roberto carlos, silvios santos e pelé. eles justificam o plantão. o famoso "parem as máquinas!". e eu espero, sinceramente, já ter aberto a minha pastelaria quando um deles morrer. reparem. todos acima dos sessenta. TODOS.

a regra básica do "famoso ou importante" vale para todos os quesitos. síncope, atropelamento etc. aí a diferença. o médico tem que atender o anônimo. alguns não atendem, mas deveriam.

marido atira na mulher! marido famoso, mulher não. movimento na redação. mulher famosa, marido não. movimento na redação. mulher famosa, marido também! alegria na redação. enfim um assunto que preste!

se não é famoso nem importante, passa a valer a quantidade. um atropelado. tédio na redação. dez atropelados. movimento na redação. ônibus invade o ponto e mata vinte. pânico! que suba o helicóptero!

o bom é quando o "quanto" se reúne ao "onde". terremoto. onde? na china? quantos mortos? mil. mil mortos na china equivalem a um morto no brasil. nota. tédio na redação. quantos mortos? vinte mil. onde? no japão. nota coberta com imagens da cnn. quantos mortos? duzentos mil. onde? no chile. em quanto tempo o repórter chega lá???? quantos mortos? dezessete. onde? no rio de janeiro. POR QUE AINDA NÃO ESTAMOS NO AR?

quando? isso é o básico. marido famoso pegou a mulher com o amante anos mais jovem. nossa! urgente! quando? euclides da cunha, no século retrasado. desprezo na redação (tenha certeza, ninguém na redação leu euclides da cunha. e quase ninguém sabe quem ele é).

as variações são muitas, mas a fórmula é a mesma. poxa, mas e o caso eloá? ela não era famosa? era uma só. aí entra o porquê, meu querido. um homem rejeitado. abandonado. pega uma arma. cem horas de cativeiro. ela implora na janela. chora. grita. a amiga sai. volta. bom, aí virou novela. e novela, invariavelmente, dá um bom plantão.

acho que resumi meus quatro anos de faculdade. e ainda me enganaram dizendo que eu precisava de diploma. francamente.

Domingo, Fevereiro 19, 2012

guarde suas exclamações para você

é possível avaliar até mesmo o caráter de uma criatura pela quantidade de exclamações que ela usa quando escreve. eu tenho um nobre amigo que trabalha com um indivíduo que assina seus e-mails da seguinte forma:

"fulano de tal
departamento financeiro!!!!"

isso mesmo. quatro exclamações. e ainda que fosse uma. qual é o sentido? as pessoas têm uma necessidade assustadora de usar exclamações e não sabem o impacto que isso causa em quem está lendo. como você lê a assinatura acima? animado? que legal! departamento financeiro! que incrível! sempre sonhei passar a minha vida organizando boletos. emitindo notas. liberando verba. convenhamos, você já passou por um departamento financeiro? a única coisa que não existe em um departamento financeiro é alegria, é animação, emoção, felicidade. então pra que tanta exclamação? pra quê?

(depois vou escrever sobre os departamentos de uma empresa. o meu preferido é o cpd - o centro de processamento de dados. não sei pra que serve, não sei que dados são esses e nem como eles são processados, mas toda empresa tem os seus. mas eu gosto quando tem aquelas festas da firma em que eles se reúnem em uma mesa e, quando algum elemento ganha o sorteio de brindes, eles ficam gritando "cpd! cpd! cpd!", como cheerleaders da ala nerd do mundo corporativo.)

enfim, voltando à má escrita, aproveito para falar sobre a péssima aplicação das aspas e o terrível uso esquizofrênico das adversativas. me dá especial agonia quando o escriba não sabe para que servem as aspas. e aí vem o e-mail:

vou deixar sobre sua mesa.
"obrigado"
fulano.

oi? obrigado entre aspas significa exatamente o quê? e quando o efeito é o oposto ao desejado, e o imbecil que escreve não percebe?

você está muito"bonita" hoje.

não respeito. não aceito. desprezo como interlocutor.

quem me chama a atenção para o uso disléxico da adversativa é a importante socióloga. existe. é fato. parece mentira, mas não é. já ouvi indivíduos dizendo: "adorei o show, mas foi muito legal". como? hã? oi? "ele é gente boa, mas eu gosto muito dele".

de novo: desprezo. não aceito. não entendo.

"desculpem" o mau humor!!!!!

iFofão

- ai, ai, ai.
- alô, alô?
silêncio do outro lado.
- alô? oi?
silêncio.
- oi?
- oi!
- o que acontece que eu falo e você fica muda?
- a minha bochecha aperta o "mudo" do iphone e aí você não me ouve!
- sério?
- sé... (mudez).
- alô?
- ai, que saco! tá vendo, a min...
- alô? oi?
- que saco! que saco! eu vou processar a apple! que saco! isso é bulliyng com os bochechudos!
- hahahahaha.
- que sa...
- oi?
- tá vendo,. tá vendo? isso não acontece com você?
- hahaha. sim, aconte...
- alô?
- oi, oi. acontece, tá vendo?
- que saco, nunca fui tão humilhada! tenho que ficar falando no viva voz, porque a minha bochecha interrompe o diálogo.
- a nossa bochecha.
- como a gente sofre!
- a gente?
- sim, meu querido. a gente. a sua bochecha é tão grande, ou maior, que a minha.
- oi?
- sim, meu querido! a sua bochecha não aperta o "mudo"?
- aperta, mas?
- hã, mas eu já tenho a tática. eu vou te ensinar o que fazer com a sua bochecha.
- oi?

(silêncio, horas depois, chegam à conclusão de que é melhor desenvolver o iFofão. o aplicativo que deixa a tela insensível a bochechas. "iPhofão, não!", diz importante socióloga. "os chineses não usam o "til". e a gente precisa entrar no mercado chinês! é melhor "iKiko". digo que sim. enfim, seremos milionários.)

Sábado, Fevereiro 18, 2012

sonhar não custa nada

eis o sonho: há notícias de que tudo vai mudar na empresa. você será afetado. reuniões. fofocas. burburinhos. nada acontece. morre o chico anisio. horas de trabalho. saio às onze da noite. está escuro. mochila nas costas. não tenho carro. ando pela rua com destino ao metrô. um fusca. um homem sai: "é você mesmo". eu me assusto. ele abre o porta-malas e saca uma arma que parece uma furadeira. aponta pra mim. me afasto. saco um ipad e uso como escudo. ele mira: "a ordem é para eu te matar!". o ipad segue como escudo. ele grita: "mas gostei de você. não vou te matar! só vou te punir!". e atira na minha orelha. perco uma parte da cartilagem. dói muito. corro para recuperá-la no chão. ele foge no fusca. saio correndo, sangrando na orelha, e com a cartilagem na mão. os táxis têm a luz acesa, mas não param. um pára. black. estou no hospital. prédio caindo aos pedaços. olho pela janela. é nova iorque. ligo para minhã mãe. ela atende e recebe a notícia do tiro com naturalidade: "estou indo". ninguém me atende, mas a orelha já está enfaixada. aparece meu chefe: "essa questão da orelha você resolve depois. vamos falar de trabalho. tudo vai mudar". com a orelha enfaixada, entro na sala de reuniões. cartilagem escondida no bolso. acordo. dezoito mensagens. até o porteiro queria saber onde eu estava. a mensagem principal era: "o lombardi está de folga". é com você, lombardi.

Sábado, Fevereiro 04, 2012

entre os dedos. dos pés.

qual deve ser o tamanho de um box? box, de banheiro. mínimo? o suficiente para agüentar os movimentos angulares fundamentais para você se lavar nas partes mais complexas e inalcançáveis do corpo, como, por exemplo, entre os dedos dos pés. você já percebeu como lavar entre os dedos dos pés é difícil? porque você precisa alcançar, se equilibrar, se movimentar, se coordenar e se limpar ao mesmo tempo. é preciso fazer o quatro, aquela prova do bêbado, só que debaixo de uma ducha e com o piso ensaboado. é meio que uma prova das olimpíadas do faustão. e tendo que movimentar as mãos de forma que atenda à limpeza de todos os recôncavos espaços entre os dedos dos pés. o que? você nunca limpou entre os dedos dos pés. fora do meu blog. agora!